Brasil supera bloqueio japonês e avança após ajustes de Ancelotti [Brasil x Japão]

A classificação sobre o Japão permite várias leituras. A primeira se apoia na dramaticidade do gol de Gabriel Martinelli na reta final. A segunda revela uma seleção que precisou corrigir os próprios erros antes de fazer prevalecer sua superioridade técnica.

Os números sugerem domínio inequívoco: 69% de posse de bola e 19 finalizações contra apenas cinco do adversário. Ainda assim, a primeira etapa expôs um problema recorrente. Ter a bola não significa comandar o jogo. O Japão executou com precisão seu plano, defendendo em um 5-4-1 compacto, fechando os espaços pelo centro e aproveitando um erro na saída brasileira para abrir o placar. O plano de Carlo Ancelotti fracassou: a circulação era lenta, concentrada no meio-campo, sem profundidade pelos lados ou situações de um contra um para os pontas, enquanto a recomposição defensiva expunha a lentidão da equipe nas transições.

A lesão de Paquetá obrigou o treinador a mudar a estrutura no segundo tempo. Endrick passou a atuar centralizado e Mateus Cunha foi deslocado para a esquerda, com liberdade para atacar por dentro. A alteração aumentou a presença brasileira na última linha, empurrou o Japão para perto da própria área, produziu um volume de 11 finalizações contra apenas uma do adversário e explorou uma deficiência histórica dos japoneses na bola aérea.

A reação também passou pelas atuações individuais. Bruno Guimarães foi o principal destaque do Brasil, participando da construção das jogadas e dando a assistência para o gol decisivo de Gabriel Martinelli. Gabriel Magalhães e Casemiro se recuperaram das falhas que contribuíram para o gol japonês ao participarem diretamente da reação brasileira. O zagueiro cruzou para o empate, enquanto o volante apareceu na área para marcar.

Pelo lado negativo, Paquetá insistiu em lançamentos para setores congestionados do campo, Danilo cometeu o erro de passe que originou o gol do Japão e Endrick teve dificuldades nos duelos.

Os sinais de alerta seguem presentes. O gol sofrido nasceu de uma sequência de falhas técnicas e posicionais. Há, porém, um ganho que estatística alguma mede. Viradas construídas sob pressão fortalecem a confiança coletiva, desde que não se transformem em dependência de heroísmos de última hora. O desafio agora é transformar uma boa capacidade de reação em um padrão de desempenho. Em mata-matas, ajustar o jogo durante a partida é uma virtude. Não precisar corrigi-lo talvez seja ainda mais importante.